Muitas pessoas sobrevivem nas ruas do Rio de Janeiro. Comem, dormem, banham-se, lavam a roupa, defecam. O ato de defecar deixa a rua cheia de merda. Durante a manhã em um quarteirão encontro de 10 a 12 montinhos dos mais variados tamanhos, cores, texturas; o formato é parecido, o cheiro é nauseante, quase vomito, não raro prendo a respiração. Mas preciso olhar, senão posso enfiar o pé em um deles.
Penso no ato de defecar, no quanto ele é particular. Não sei se é possivel sentir-se à vontade defecando na frente de outras pessoas, por isso tanta merda de manhã.
Às vezes encontro alguém cuja vontade surgiu à luz do dia. Um senhor, já velho, não sabe o que fazer, a rua esta cheia, mas não aguenta. Envergonhado, ele abaixa e defeca. Com o jornal sujo que encontrou se limpa.
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