O Rio de Janeiro é uma cidade essencialmente contraditória.
Aqui é possível encontrar uma lei que concede gratuidade de transporte a todos os alunos de escola pública que estiverem uniformizados, ao mesmo tempo classifica como crime obsceno o ato de urinar na rua.
Difícil compreender esta cidade.
terça-feira, 18 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
copa do mundo
Os moradores da Jorge Rudge se preparam para a festa. Fitas amarela verde branca azul pelo céu, pinturas na parede, pinturas pelo chão, camisas e bandeiras do Brasil por todo lado, bares enfeitados, garçons na torcida, o povo espera. Já não é mais Rio de Janeiro, é Copa do Mundo.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
pique-nique de cola
domingo, 9 de maio de 2010
senhoras da zona sul
Estava cansada de ficar na Vila Isabel, bairro de classe média baixa, envolto por favelas, muitos moradores de rua, sujeira, lixo por todos os lados, pessoas comuns, um tanto feias.
Queria encontrar o Rio de Janeiro das novelas da rede globo.
Entro no metrô maracanã e conforme me aproximo da zona sul as estações mascaram e embelezam a feiura arquitetônica.
Chego em Ipanema e imagino as pessoas lindas que vou encontrar. Uma duas três, em dois quarteirões passo por oito senhoras feitas a bisturi, silicone, botox e maquiagem definitiva. Caras esticadas, roupas de garotas de dezoito anos, salto alto para tornear os músculos que não existem mais. Não souberam envelhecer.
À noite, encontro a novela das oito.
Gosto da Vila Isabel.
Queria encontrar o Rio de Janeiro das novelas da rede globo.
Entro no metrô maracanã e conforme me aproximo da zona sul as estações mascaram e embelezam a feiura arquitetônica.
Chego em Ipanema e imagino as pessoas lindas que vou encontrar. Uma duas três, em dois quarteirões passo por oito senhoras feitas a bisturi, silicone, botox e maquiagem definitiva. Caras esticadas, roupas de garotas de dezoito anos, salto alto para tornear os músculos que não existem mais. Não souberam envelhecer.
À noite, encontro a novela das oito.
Gosto da Vila Isabel.
efeito nauseante
Muitas pessoas sobrevivem nas ruas do Rio de Janeiro. Comem, dormem, banham-se, lavam a roupa, defecam. O ato de defecar deixa a rua cheia de merda. Durante a manhã em um quarteirão encontro de 10 a 12 montinhos dos mais variados tamanhos, cores, texturas; o formato é parecido, o cheiro é nauseante, quase vomito, não raro prendo a respiração. Mas preciso olhar, senão posso enfiar o pé em um deles.
Penso no ato de defecar, no quanto ele é particular. Não sei se é possivel sentir-se à vontade defecando na frente de outras pessoas, por isso tanta merda de manhã.
Às vezes encontro alguém cuja vontade surgiu à luz do dia. Um senhor, já velho, não sabe o que fazer, a rua esta cheia, mas não aguenta. Envergonhado, ele abaixa e defeca. Com o jornal sujo que encontrou se limpa.
Penso no ato de defecar, no quanto ele é particular. Não sei se é possivel sentir-se à vontade defecando na frente de outras pessoas, por isso tanta merda de manhã.
Às vezes encontro alguém cuja vontade surgiu à luz do dia. Um senhor, já velho, não sabe o que fazer, a rua esta cheia, mas não aguenta. Envergonhado, ele abaixa e defeca. Com o jornal sujo que encontrou se limpa.
cracolândia
Visitei um amigo na favela da mangueira. Para chegar a sua casa precisei passar pela cracolândia. Não importa o dia e a hora, sempre está cheio, sempre estão doidos, sempre é deprimente, desumano, triste. Cheira plástico queimado, suor, urina, merda, é cinza chumbo.
Por pouco não encosto nas pessoas, a passagem é apertada. Sinto angústia.
Na mesa escolar vende-se a droga. Um homem, com o dinheiro na mão e a arma na mesa apontada pra quem passa, vende a centavos o craque pra quem quer comprar e são muitos. Quase esbarro na mesa, senti uma vontade de pegar a arma e dizer: “fica esperto”, mas jamais faria. Provavelmente morreria!
Por pouco não encosto nas pessoas, a passagem é apertada. Sinto angústia.
Na mesa escolar vende-se a droga. Um homem, com o dinheiro na mão e a arma na mesa apontada pra quem passa, vende a centavos o craque pra quem quer comprar e são muitos. Quase esbarro na mesa, senti uma vontade de pegar a arma e dizer: “fica esperto”, mas jamais faria. Provavelmente morreria!
tempos modernos
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